MATO GROSSO DO SUL CONFLITO
POLÍCIA MILITAR REFORÇA SEGURANÇA EM FAZENDA DE SIDROLÂNDIA APÓS OCUPAÇÃO E DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA
Deleagro assume investigações; lideranças indígenas afirmam que ação não foi organizada pela Aldeia Buriti e defendem retomadas sem confrontos
15/06/2026 20h07
Por: Redação Fonte: Jornal MídiaMax

 

 

Equipes da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul permanecem mobilizadas na Fazenda São Sebastião, em Sidrolândia, após a ocupação da propriedade rural registrada no último fim de semana. O reforço policial ocorre enquanto autoridades investigam denúncias de danos ao patrimônio, incêndios, furtos e supostos casos de cárcere privado relatados pelos proprietários da área.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, os ocupantes teriam utilizado barricadas e obstáculos para dificultar o avanço das equipes de segurança. Um policial ouvido pela reportagem classificou as ações como semelhantes a “técnicas de bloqueio de guerrilha”, afirmando que os obstáculos tinham o objetivo de expor os agentes durante a operação. Os bloqueios foram posteriormente removidos por equipes especializadas do Batalhão de Choque.

A proprietária da fazenda registrou boletim de ocorrência denunciando a invasão da área. Conforme o relato, máquinas agrícolas e insumos foram incendiados, funcionários teriam sido mantidos contra a vontade e houve danos significativos à propriedade. Também foram registrados furtos de equipamentos e focos de incêndio considerados criminosos.

Diante da gravidade das denúncias, a Delegacia Especializada de Combate a Crimes Rurais e Abigeato (Deleagro) assumiu a investigação do caso. A Perícia Criminal também foi acionada para realizar levantamentos técnicos e auxiliar na identificação dos envolvidos. Entre os possíveis crimes apurados estão ameaça, sequestro e cárcere privado, associação criminosa, roubo, dano qualificado, violação de domicílio, esbulho possessório e incêndio.

Durante as diligências, parte dos maquinários levados da propriedade foi localizada em estradas vicinais próximas à região da Aldeia Buriti. A localização contou com apoio do Grupamento Aéreo da Polícia Militar.

Por outro lado, organizações ligadas aos povos indígenas apresentam uma versão diferente dos fatos. De acordo com representantes do povo Terena, a ocupação faz parte de uma retomada de área considerada tradicionalmente indígena e inserida no contexto da disputa territorial envolvendo a Terra Indígena Buriti. Os indígenas negam acusações de manter pessoas reféns e afirmam que informações falsas estariam sendo disseminadas para justificar ações violentas contra a comunidade.

Lideranças indígenas também se reuniram com representantes políticos e afirmaram que a ocupação não foi organizada oficialmente pela Aldeia Buriti. Apesar de defenderem novas retomadas territoriais, os representantes disseram que não apoiam ações violentas.

O caso segue sob investigação e mobiliza forças de segurança, proprietários rurais e comunidades indígenas em uma região marcada por disputas fundiárias históricas em Mato Grosso do Sul.