MATO GROSSO DO SUL Morreu
Da ascensão política à prisão: morre o ex-prefeito Alcides Bernal aos 61 anos
Figura de destaque na política sul-mato-grossense, Bernal construiu carreira como advogado, radialista e prefeito da Capital, mas seus últimos meses foram marcados pela prisão e por problemas de saúde.
13/07/2026 07h13 Atualizada há 2 meses
Por: Redação

 

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Jesus Peralta Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 61 anos, na Santa Casa de Campo Grande. Segundo informações médicas, o óbito foi registrado por volta das 2h, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio.

Bernal estava internado após apresentar uma piora no quadro de saúde enquanto permanecia custodiado no sistema prisional. Ele estava preso desde 23 de março deste ano, acusado de matar o empresário e servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O processo ainda tramitava na Justiça e não havia condenação definitiva.

Nos últimos dias, o ex-prefeito enfrentou sucessivas complicações de saúde. Inicialmente, foi levado a uma unidade hospitalar após passar mal no presídio, recebendo alta depois da estabilização clínica. No entanto, na tarde de domingo (12), voltou a apresentar um agravamento do quadro e foi transferido às pressas para a Santa Casa, onde permaneceu internado sob cuidados intensivos até não resistir às complicações cardíacas.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Alcides Bernal e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) ainda não haviam divulgado informações sobre os procedimentos adotados durante a internação nem sobre os atos fúnebres.

Quem foi Alcides Bernal

Alcides Jesus Peralta Bernal nasceu em Corumbá, Mato Grosso do Sul, em 14 de julho de 1965, Ele construiu praticamente toda a sua carreira pública em Campo Grande, onde ganhou notoriedade como radialista, formou-se em Direito, atuou como advogado, foi eleito vereador por dois mandatos, deputado estadual e, em 2012, tornou-se prefeito da Capital, cargo que exerceu entre 2013 e 2014, sendo posteriormente cassado pela Câmara Municipal. Em 2015, retornou ao cargo por decisão judicial e permaneceu até o fim do mandato, em 2016. Era advogado, radialista e apresentador, tornando-se conhecido por programas de rádio voltados à defesa do consumidor e à denúncia de problemas enfrentados pela população.

Casado e pai de família, Bernal ganhou notoriedade na comunicação antes de ingressar definitivamente na política. Sua popularidade nos meios de comunicação foi decisiva para sua eleição como vereador de Campo Grande e, posteriormente, deputado estadual.

Em 2012, foi eleito prefeito de Campo Grande, tornando-se o primeiro chefe do Executivo municipal da Capital eleito por um partido de menor expressão. Sua administração, entretanto, foi marcada por intensos conflitos políticos com a Câmara Municipal.

Cassação e retorno ao cargo

Em março de 2014, Bernal teve o mandato cassado pelos vereadores sob acusações relacionadas à gestão administrativa. A decisão gerou ampla repercussão nacional e uma longa disputa judicial.

Após diversas decisões judiciais, ele retornou ao comando da Prefeitura em agosto de 2015, permanecendo no cargo até o fim do mandato, em 2016. O período foi marcado por embates políticos, investigações, ações judiciais e sucessivas crises administrativas.

Depois de deixar a Prefeitura, Bernal tentou retornar à vida pública disputando novas eleições, mas não voltou a ocupar cargos eletivos.

Os últimos meses

Em março de 2026, Bernal foi preso preventivamente durante as investigações da morte do empresário e servidor público Roberto Carlos Mazzini. Segundo as autoridades, ele era apontado como autor do homicídio. A defesa negava as acusações e buscava reverter a prisão.

Enquanto aguardava o andamento do processo criminal, Bernal passou a enfrentar problemas de saúde que culminaram em sua internação e, posteriormente, em sua morte.

Com uma trajetória marcada por forte exposição pública, Alcides Bernal deixa um legado de intensos debates na política sul-mato-grossense. Admirado por apoiadores pelo estilo combativo e criticado por adversários pelas sucessivas controvérsias, ele foi uma das figuras mais conhecidas da história política recente de Mato Grosso do Sul.