Um homem identificado como Fernando Garcia Leal de Oliveira morreu após um confronto com policiais militares durante uma ocorrência registrada em Três Lagoas. A ação mobilizou equipes da Força Tática, Rádio Patrulha, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Corpo de Bombeiros e Perícia Científica.
Conforme informações registradas no documento oficial da ocorrência, a equipe da Força Tática foi acionada para comparecer ao endereço informado e prestar apoio à equipe de Rádio Patrulha e ao SAMU.
Segundo o relato policial, Fernando teria acordado pela manhã e se dirigido ao quarto de uma familiar, apresentando comportamento bastante exaltado e agressivo. Ainda conforme o registro, ele estaria de posse de um objeto contundente e exigia que a familiar ligasse para um conhecido da família para que fosse levado até um sítio pertencente aos familiares.
Durante a ocorrência, Fernando, que segundo o documento policial era portador de esquizofrenia, teria se exaltado ainda mais, apoderando-se de dois facões e entrando em seu quarto.
Diante da situação, os policiais da Força Tática entraram no imóvel e se dirigiram ao quarto onde Fernando estava. Os militares passaram a verbalizar para que ele saísse do cômodo para receber atendimento da Polícia Militar e do SAMU. Ainda de acordo com o registro, Fernando teria ameaçado os policiais, afirmando: “se entrar vai tomar, estou armado”, enquanto batia os facões dentro do quarto.
Como ele não teria atendido às ordens, os policiais conseguiram abrir a porta e visualizaram Fernando segurando os dois facões. Novamente, os militares determinaram que ele largasse as armas brancas para que pudesse receber atendimento médico, mas, segundo o documento, ele se recusou.
Na sequência, ainda conforme o relato oficial, Fernando teria avançado contra os policiais e desferido golpes de facão, que atingiram o escudo utilizado pela equipe.
Diante da agressão, um soldado utilizou duas vezes uma arma de incapacitação neuromuscular, conhecida como Taser, na tentativa de conter Fernando, porém, segundo o registro, os disparos não tiveram eficácia.
Em seguida, um cabo efetuou disparos com munição de impacto controlado, conhecida como munição de borracha. Mesmo assim, conforme consta no documento, Fernando teria continuado segurando os facões e se recusado a obedecer às determinações dos policiais.
Ainda de acordo com o relato registrado na ocorrência, Fernando teria avançado novamente contra a equipe, aparentemente com a intenção de desferir novos golpes de facão. Nesse momento, um sargento efetuou dois disparos de arma de fogo contra ele.
Fernando caiu ao solo e foi desarmado pelos policiais. Na sequência, uma equipe do SAMU realizou os primeiros atendimentos e encaminhou o homem ao Hospital Auxiliadora. Apesar dos esforços médicos, Fernando não resistiu aos ferimentos e morreu.
O Corpo de Bombeiros também esteve no local com uma unidade de resgate, sob o comando de um sargento. A Perícia Científica foi acionada e realizou os procedimentos de perícia no local. Um primeiro-tenente também compareceu à ocorrência para a realização dos procedimentos relacionados à Polícia Judiciária Militar.
O documento registra ainda que a arma utilizada inicialmente pelo sargento apresentou uma pane após o primeiro disparo. Diante da necessidade de continuidade da ação, o militar teria utilizado, de forma emergencial, a arma pertencente ao cabo para efetuar o segundo disparo.
No local também estavam três familiares de Fernando, entre eles uma mulher, outra familiar e um idoso.
Os fatos descritos nesta matéria são de inteira responsabilidade da Polícia Militar e da Polícia Civil, uma vez que as informações foram extraídas de documento oficial registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). A reportagem reproduz os fatos conforme constam no registro policial, sem atribuir à equipe de reportagem responsabilidade pelas declarações ou conclusões apresentadas pelas autoridades.