Uma das maiores operações policiais já registradas no Rio de Janeiro deixou, até a noite desta terça-feira (28), pelo menos 64 mortos, entre eles quatro policiais. A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, foi deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense, com o objetivo de enfraquecer a estrutura do Comando Vermelho (CV), principal facção criminosa do estado.
De acordo com informações oficiais, 60 dos mortos seriam integrantes do crime organizado. A ofensiva também resultou em 81 prisões e na apreensão de um grande arsenal: entre 72 e 93 fuzis, pistolas, explosivos, cerca de 200 quilos de drogas e veículos usados por criminosos. Durante os confrontos, ônibus foram incendiados, barricadas erguidas e até drones com explosivos foram utilizados por faccionados para tentar conter o avanço policial.
Além dos policiais mortos, há registro de ao menos três civis feridos por balas perdidas. As autoridades ainda não divulgaram o número total de feridos entre os suspeitos.
A operação teve início nas primeiras horas do dia e se estendeu por diversas comunidades interligadas da região. Segundo o governador Cláudio Castro, a ação foi uma resposta direta ao avanço do crime organizado e representa “um golpe duro contra as facções que aterrorizam o Rio de Janeiro”. O governador também criticou a falta de apoio da União, afirmando que o estado “atua praticamente sozinho” no combate às organizações criminosas.
Em resposta, o Ministério da Justiça rebateu as declarações de Castro, afirmando que o governo federal tem apoiado o estado desde 2023 e que as forças federais continuam à disposição para operações conjuntas. A troca de acusações entre o estado e a União reacendeu o debate sobre a coordenação das políticas de segurança pública no Rio.
A Polícia Civil lamentou oficialmente a morte dos agentes e declarou que “os responsáveis não ficarão impunes”, prometendo continuidade nas investigações e operações contra o CV.
O balanço divulgado até o momento é parcial e pode ser atualizado conforme novas informações forem confirmadas. Moradores das comunidades afetadas relataram intenso tiroteio, medo e dificuldade de deslocamento durante todo o dia.