A dificuldade enfrentada por municípios brasileiros na aquisição de medicamentos para a rede pública de saúde é um fenômeno de alcance nacional. Dados de entidades municipalistas mostram que mais da metade das cidades do país convivem com algum nível de desabastecimento. Em Três Lagoas, no entanto, a administração municipal afirma que a situação tem sido distorcida por informações falsas divulgadas nas redes sociais, que classificam o problema como generalizado.
Nos últimos dias, publicações apontando falta total de medicamentos em unidades de saúde e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) levaram a Prefeitura de Três Lagoas a se manifestar oficialmente. Segundo o Executivo, há registros de indisponibilidade pontual de determinados medicamentos, mas não um colapso no fornecimento da rede municipal.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (22), a Assessoria de Comunicação da prefeitura afirmou que a Secretaria Municipal de Saúde e a gestão pública vêm sendo alvo de fake news, o que tem provocado desinformação junto à população. Conforme o comunicado, as informações divulgadas não refletem o cenário real do abastecimento.
A administração explica que os episódios de falta estão relacionados a fatores externos, como atrasos na cadeia logística, indisponibilidade de medicamentos no mercado nacional e dificuldades de laboratórios em cumprir contratos firmados após processos licitatórios. Situações semelhantes vêm sendo registradas em municípios de diferentes portes e regiões do país.
De acordo com levantamento da Confederação Nacional dos Municípios, aproximadamente 65,2% das cidades brasileiras relataram a falta de ao menos um medicamento básico na rede pública. Em números absolutos, cerca de 3.600 municípios enfrentam algum tipo de desabastecimento. Ainda segundo a entidade, 81,4% das prefeituras afirmam ter dificuldades para adquirir medicamentos, em razão de preços elevados, escassez de produtos e desistência de fornecedores.
Entre os medicamentos mais afetados estão os antibióticos, com quase 90% dos municípios relatando problemas de aquisição ou entrega. Na sequência aparecem os medicamentos utilizados no tratamento de doenças respiratórias, além de itens voltados ao controle da hipertensão e diabetes.
Especialistas apontam que o cenário é agravado pelo descompasso entre os valores praticados nas licitações públicas e os preços do mercado privado, o que tem levado empresas a se afastarem do fornecimento ao setor público. Enquanto gestores buscam equilibrar orçamentos e manter o atendimento à população, os impactos acabam sendo sentidos diretamente pelos usuários do Sistema Único de Saúde.
A Prefeitura de Três Lagoas reforça que segue monitorando os estoques e adotando medidas administrativas para reduzir os impactos das faltas pontuais, ao mesmo tempo em que alerta para a importância de se combater a disseminação de informações falsas, que podem gerar pânico injustificado e prejudicar a confiança da população nos serviços públicos de saúde.
A Prefeitura orienta ainda que, diante de dúvidas, os munícipes procurem a Secretaria Municipal de Saúde por meio dos telefones (67) 98139-3273, ou presencialmente na R. João Silva, n° 939 – centro, com horário de funcionamento das 7h às 18h, sem intervalo para almoço, a fim de esclarecimentos de dúvida, evitando propagação de notícias falsas.https://www.treslagoas.ms.gov.br/prefeitura-de-tres-lagoas-esclarece-informacoes-sobre-abastecimento-de-medicamentos-na-rede-publica/