
Nesta sexta-feira (15), Três Lagoas foi palco de uma celebração especial que uniu arte, natureza e conscientização ambiental. O evento “Cores do Cerrado – Arte, Natureza e Comunidade”, promovido pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), em parceria com a Prefeitura Municipal de Três Lagoas e a empresa Way 112, marcou a inauguração de um mural artístico em homenagem ao tatu-canastra — animal símbolo do Parque Natural Municipal do Pombo e da fauna brasileira.
A ação, realizada na lateral do Estádio da Aden, também contou com feira de produtos do mel e atividades de educação ambiental, com participação de estudantes da rede pública e da comunidade.
A obra, assinada pelo artista Fernando Berg com apoio de Harlyn Teixeira, representa o tatu-canastra em tamanho ampliado e integra a proposta do Projeto Canastras e Colmeias, iniciativa que promove a convivência entre fauna silvestre e apicultura sustentável no Cerrado.
“A arte tem o poder de tocar, provocar e transformar. Fico feliz em ver meu trabalho contribuindo para a valorização da nossa fauna e inspirando a proteção do Cerrado”, afirmou Berg durante o evento.
Segundo a bióloga Gabriela Longo, coordenadora do projeto, o mural é uma forma de estreitar os laços entre ciência, produção sustentável e a sociedade.
O Projeto Canastras e Colmeias surgiu em 2015 após pesquisadores identificarem que o tatu-canastra, diante da escassez de alimento, passou a invadir colmeias. Como solução, o ICAS desenvolveu o Guia de Convivência entre Apicultores e Tatus-Canastra e criou o Selo Amigo do Tatu-Canastra, concedido a produtores que adotam práticas sustentáveis.
Hoje, mais de 100 apicultores em quatro estados brasileiros participam da iniciativa, sendo 16 deles em Três Lagoas. Esses produtores fortalecem a apicultura sustentável e colaboram diretamente com a conservação da espécie e do Cerrado.
Para o presidente do ICAS, Arnaud Desbiez, a união entre arte, ciência e produção local é o caminho para sensibilizar a população:
“Queremos que mais apicultores conheçam o projeto e adotem práticas de convivência. Também incentivamos o consumo consciente de produtos certificados, que ajudam a preservar o Cerrado e seus animais”.
“Queremos que a população conheça o projeto e veja como a arte e a economia criativa podem fortalecer a conservação ambiental e apoiar os apicultores locais”, destacou.
Estudantes da Escola Municipal Júlio Fernando Colino participaram da ação e aprenderam mais sobre o tatu-canastra, o tamanduá-bandeira e a importância do Parque do Pombo. A professora Evanilda, do 2º ano, celebrou a experiência:
“Esses momentos fora da sala de aula são valiosos. Aprendemos junto com as crianças e levamos esse conhecimento de volta para o dia a dia escolar”.
A artesã Joelma Pedroso também esteve presente e fez uma reflexão com os alunos sobre a semelhança entre o tamanduá e características de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), destacando a importância do respeito à diversidade na escola.
