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Pais denunciam abandono em escolas, CEIs e praças públicas de Três Lagoas

Problemas em unidades da Rede Municipal de Ensino e espaços públicos incluem ar-condicionado quebrado, banheiros sem funcionamento, falta de iluminação e risco à segurança de crianças

Redação
Por: Redação
22/05/2026 às 12h01
Pais denunciam abandono em escolas, CEIs e praças públicas de Três Lagoas
REDAÇÃO

Três Lagoas vive um dos períodos mais marcantes de sua história econômica. Conhecida nacionalmente como a “Capital Mundial da Celulose”, a cidade segue avançando impulsionada por investimentos privados bilionários, expansão industrial e pela retomada de grandes projetos, como a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3).

O município, que possui um dos maiores Produtos Internos Brutos (PIB) de Mato Grosso do Sul — estimado em mais de R$ 11 bilhões —, também figura entre os mais estratégicos economicamente no Estado, com arrecadação anual de centenas de milhões de reais e crescimento constante nos setores industrial, logístico e de serviços.

O desenvolvimento é visível. Caminhões cruzam avenidas dia e noite. Novos empreendimentos surgem. Empresas ampliam operações. A cidade cresce para os lados, para o alto e para os trilhos do progresso.

Mas, paralelamente ao crescimento econômico, moradores de diferentes regiões têm utilizado redes sociais, canais de imprensa e contatos com veículos de comunicação para relatar dificuldades ligadas a demandas básicas do cotidiano urbano.

Entre os principais apontamentos estão problemas estruturais em escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs), demora em serviços de manutenção pública, reclamações envolvendo saúde pública, iluminação em praças, segurança em determinados bairros e necessidade de maior agilidade em respostas do poder público.

As reclamações foram encaminhadas inicialmente à administração municipal no dia 23 de abril deste ano, após denúncias feitas por pais de alunos da Rede Municipal de Ensino (Reme). Segundo os relatos, muitos problemas continuam presentes mais de 30 dias após o primeiro contato.

No CEI Lilian Márcia Dias, mães relataram dificuldades relacionadas ao funcionamento de chuveiros e torneiras utilizados pelas crianças. Já na Escola Municipal Professor Odeir Antônio, no bairro São João, pais afirmam que salas seguem sem climatização adequada após aparelhos de ar-condicionado apresentarem defeitos e serem retirados para manutenção.

As denúncias também alcançam praças públicas em bairros como SetSul, Nova Três Lagoas, Nova Americana e Paranapungá, onde moradores relatam iluminação insuficiente, brinquedos danificados e sensação de insegurança no período noturno, agravada por furtos de cabos de cobre e atos de vandalismo.

Outro ponto frequentemente citado é a situação do banheiro público da Orla da Lagoa Maior, cartão-postal da cidade. Moradores afirmam que o local permanece fechado em parte do dia ou apresenta condições inadequadas de uso, dificultando o acesso de famílias, turistas e praticantes de atividades físicas.

Na região da Santa Terezinha e da Rua Protásio Garcia Leal, moradores também relatam preocupação com questões sociais envolvendo usuários de drogas em situação de vulnerabilidade. Muitos frequentam o Centro POP em busca de alimentação e assistência — serviço considerado importante pela comunidade —, mas moradores defendem que políticas públicas complementares de saúde mental, acolhimento e segurança possam trazer maior equilíbrio à convivência urbana.

Os relatos incluem episódios de brigas, furtos e situações que geram desconforto e sensação de insegurança entre comerciantes, famílias e pessoas que circulam pela região.

Na área da saúde, moradores também apontam demora em atendimentos na UPA e dificuldades pontuais relacionadas ao fornecimento de medicamentos. Em janeiro deste ano, a própria Prefeitura de Três Lagoas publicou nota esclarecendo que não havia falta generalizada de remédios na rede pública, reconhecendo, porém, que alguns itens poderiam sofrer desabastecimento pontual devido a atrasos de fornecedores e dificuldades no mercado nacional.

O tema também foi repercutido por outros veículos de imprensa locais ao longo de 2026, mostrando que as discussões sobre abastecimento, manutenção e estrutura da saúde pública vêm sendo acompanhadas de perto pela população e pela imprensa regional.

Outro assunto levantado por moradores é a necessidade de instalação de redutores de velocidade na Rua Marcondes Garcia Leal, no Parque São Carlos. Pais afirmam que veículos trafegam em alta velocidade próximo à escola do bairro, aumentando o risco para estudantes nos horários de entrada e saída.

Apesar das cobranças, moradores reconhecem que muitos dos desafios enfrentados não são exclusivos de Três Lagoas. Problemas envolvendo manutenção escolar, climatização de salas de aula, abastecimento de medicamentos e pressão sobre serviços públicos também são registrados em cidades de diferentes regiões do país.

Ainda assim, parte da população acredita que, diante da força econômica do município e da relevância estratégica que Três Lagoas alcançou nacionalmente, algumas demandas consideradas básicas poderiam receber respostas mais rápidas e maior fluidez administrativa.

Em nota enviada anteriormente à reportagem, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec) informou que a manutenção dos chuveiros já havia sido solicitada e que existe processo licitatório em andamento para atender demandas relacionadas aos aparelhos de ar-condicionado.

Moradores, por sua vez, afirmam que seguem aguardando avanços práticos e maior celeridade nos atendimentos.

Entre o crescimento industrial, os investimentos bilionários e os indicadores econômicos positivos, a população reforça que o desenvolvimento urbano também passa pela manutenção das escolas, funcionamento eficiente dos serviços públicos, segurança em bairros, conservação das praças e qualidade de vida nos espaços onde a rotina da cidade realmente acontece.

Para muitos moradores, o desafio de Três Lagoas não está apenas em continuar crescendo — mas em fazer com que o progresso chegue com a mesma velocidade às demandas do dia a dia da população.

Conforme a Secretaria Municipal de Infraestrutura, responsável pelos contratos de manutenção predial e de iluminação pública, todas as demandas mencionadas já são de conhecimento da Administração Municipal. No entanto, a empresa responsável pelos serviços de manutenção predial iniciou os trabalhos há pouco mais de um mês e, desde então, vem atendendo as solicitações conforme um cronograma de execução definido por ordem de prioridade.

Em relação à iluminação pública, a pasta esclarece que as praças citadas sofreram furtos de fiação elétrica em mais de uma ocasião. Diante disso, em conjunto com o programa Brilha Três Lagoas, está sendo elaborado um projeto para dificultar novas ocorrências desse tipo. Após a conclusão dos trâmites legais necessários para adequação contratual, os reparos serão executados.

A Administração Municipal reforça ainda o pedido de colaboração da população, especialmente nos casos de furto de fios, para denunciar tanto os autores dos crimes quanto possíveis receptadores dos materiais furtados. A medida busca contribuir com as ações anunciadas recentemente pela Prefeitura e pelas Polícias Militar e Civil no combate a esse tipo de ocorrência.

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