
A disputa por terras em Sidrolândia voltou a ganhar destaque nesta segunda-feira (15), após indígenas da Aldeia Buriti retornarem à Fazenda São Sebastião, área reivindicada como parte do território tradicional Terena. A nova ocupação ocorre poucos dias depois de uma ação policial e reacende o debate sobre a demarcação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul.
Segundo lideranças indígenas, cerca de 300 pessoas participam da retomada. Os ocupantes afirmam que a propriedade está inserida na área da Terra Indígena Buriti, cujo processo de ampliação e regularização fundiária permanece sem definição há mais de uma década. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) confirmou a reocupação e acompanha a situação por meio de equipes que atuam na mediação do conflito.
A disputa territorial na região se arrasta desde 2013, quando o indígena Oziel Gabriel Terena morreu durante uma operação de reintegração de posse. Desde então, comunidades indígenas cobram uma solução definitiva para a questão fundiária, enquanto produtores rurais defendem a manutenção do direito de propriedade reconhecido por decisões judiciais.
Do lado dos proprietários, as denúncias são graves. A produtora rural Alda Lemos Brito Curado afirma que funcionários foram ameaçados, retirados da propriedade e que três residências e um galpão foram incendiados durante a invasão. Os prejuízos ainda estão sendo contabilizados.
A Polícia Militar realizou operações na região e informou ter atuado para conter invasões, atos de vandalismo e possíveis crimes ambientais. Equipes especializadas, incluindo o Batalhão de Choque e o Batalhão Rural, foram mobilizadas para acompanhar a situação.
O episódio também repercutiu no cenário político. O deputado federal Marcos Pollon afirmou que organizações criminosas e grupos que classificou como "terroristas" estariam influenciando invasões de propriedades rurais no Estado. As declarações foram feitas em vídeo divulgado nas redes sociais e repercutidas pela imprensa estadual. Até o momento, o parlamentar não apresentou publicamente provas que sustentem as acusações
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Em contraponto, lideranças indígenas e representantes do governo federal defendem que a questão deve ser tratada como um conflito fundiário histórico, relacionado à demora na conclusão dos processos demarcatórios. O Ministério dos Povos Indígenas e a Funai afirmam trabalhar para evitar novos confrontos e buscar uma solução negociada entre as partes.
Com a reocupação da fazenda e o aumento da tensão política em torno do caso, o conflito de Sidrolândia volta a expor um dos temas mais sensíveis de Mato Grosso do Sul: a disputa entre produtores rurais e comunidades indígenas por áreas reivindicadas como territórios tradicionais. Enquanto as investigações sobre os episódios ocorridos nos últimos dias avançam, autoridades tentam evitar que a situação evolua para novos confrontos.