
Mato Grosso do Sul confirmou a 23ª morte por chikungunya em 2026 após o falecimento de um homem de 65 anos em Ponta Porã. Com o novo registro, o número de óbitos neste ano já corresponde a 95,8% de todas as mortes provocadas pela doença contabilizadas no Estado entre 2016 e 2025.
De acordo com dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a vítima apresentou os primeiros sintomas da doença em 21 de maio e morreu no dia 3 de junho. O paciente possuía comorbidades, entre elas diabetes e hipertensão arterial. Trata-se da primeira morte por chikungunya registrada em Ponta Porã desde o início do monitoramento da doença.
O cenário preocupa as autoridades sanitárias. Mato Grosso do Sul acumula 12.869 casos prováveis da arbovirose e 7.897 confirmações laboratoriais apenas neste ano. Entre os casos confirmados, 86 ocorreram em gestantes. Outras duas mortes seguem em investigação.
Os números colocam o Estado na liderança nacional da incidência de chikungunya. Segundo os dados oficiais, Mato Grosso do Sul responde por cerca de 25% dos casos registrados no país e por 60,5% dos óbitos relacionados à doença em 2026. A taxa de incidência estadual é superior a 444 casos por 100 mil habitantes, mais de 18 vezes acima da média nacional.
A evolução da doença chama atenção quando comparada aos dados históricos. Entre 2016 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou 24 mortes e pouco mais de 21 mil casos prováveis de chikungunya. Apenas nos primeiros meses de 2026, o Estado já alcançou praticamente o mesmo número de óbitos acumulados em toda a década anterior.
Dourados permanece como o principal epicentro da doença em Mato Grosso do Sul. O município concentra a maior parte das mortes registradas neste ano e enfrentou uma epidemia da arbovirose, especialmente em áreas indígenas. O avanço dos casos levou autoridades estaduais e federais a reforçarem ações de combate ao mosquito Aedes aegypti e de assistência médica à população.
Especialistas alertam que, embora a tendência seja de redução dos casos durante os meses mais secos e frios do ano, a população deve continuar eliminando possíveis criadouros do mosquito transmissor. Além da chikungunya, o Aedes aegypti também é responsável pela transmissão da dengue e do vírus da zika.